O Museu Afro Cultural Oju Aiye, pertence ao Ilé Asé Alakétú Sàngó Airà Igbonã, comunidade religiosa de matriz africana e assim preserva as memórias materiais e imateriais do povo negro africano escravizados em terras brasileiras; A cronologia da exposição permite ao expectador bilocar-se sensorialmente por meio do impacto visual e emocional. A exposição rememora a escravidão por meio de peças como gargalheiras, algemas, correntes, marcadores, máscara de flandres, tronco etc; A exibição aborda o cotidiano dos negros escravos e alforriados, seus legados culinários e artísticos, e as formas de obtenção de lucros próprios ou divididos com seus senhores, bem como, as vestimentas de identidade, as quais destacam-se saias, panos da costa, turbantes, jóias de crioulas, colares, balangandãs e patuás. O museu permite a visão da religiosidade primária dos negros na África através de esculturas, máscaras, adereços de culto e objetos litúrgicos pertinentes às divindades do panteão africano e em paralelo, verte-se também, à fé imposta nos dogmas católicos (por meio de peças como imagens católicas de época, turíbulo, bandeiras, estandartes e etc.) e seus impactos na formação de um novo exponencial religioso, sincrético, e que orientou para a morfologia étnica cultural de práticas que serviram também como base para ritmos musicais como o samba de roda, batuques, e as manifestações culturais festejadas ainda em dias atuais com forte identidade dessa miscigenação de costumes; neste foco, observamos o maracatu, folia de reis , congados e etc. A conexão ou ainda, a reconexão do individuo enquanto expectador é naturalmente inevitável, a ponto de cada peça exposta transmutar-se em espelhos a refletir a própria história de quem as observa.
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